sábado, 17 de setembro de 2011

CULTURA EMPRESARIAL-1

Eu trabalhava numa empresa de consultoria e recebi a visita de um consultor italiano, especializado em ferrovias e fomos visitar várias oficinas de locomotivas da FEPASA, em S.Paulo. Após andarmos por toda a oficina, acompanhados do gerente local, subimos para um mezanino onde ele tinha o seu escritório. Assim como o restante da oficina, o escritório estava sujo e bagunçado.
Depois de tomarmos um cafezinho o gerente saiu da sala por um instante. Aproveitei a sua ausência e perguntei: o que achou da oficina? Ele respondeu, quase de imediato: a cara do dono (ou seja, do gerente).
Nas empresas acontece muito isto, elas geralmente são o espelho do dono. Como é muito difícil mudar as pessoas, na maioria das vezes é necessário mudar o dono.
Lembro do livro do Abíli Diniz, presidente do Grupo Pão da Açucar, que muito depois que foi sequestrado e quase foi morto. Ele reconheceu que era tão arrogante, que quando estava dirigindo e precisava virar numa esquina não dava sinal porque achava que não tinha que dar satisfação para ninguém que viesse atrás dele.
O medo da morte, porém, fez ele encarar a vida de uma forma mais humilde.
Quem tem sucesso corre o risco de ter o ego tão inchado que começa a flutuar no ar, perde o contato com o chão, isto é, perde a noção da realidade, vive num outro mundo. Passa a pensar que sabe tudo, não pergunta nada a ninguém, somente manda fazer.
A história está cheia de casos de que esta postura acaba mal.
Continuarei neste tema, que envolve cultura empresarial.