quinta-feira, 4 de junho de 2015

FIFA- O Escândalo

Faz décadas que se fala a respeito da existência de corrupção relacionada à FIFA. A mais recente se refere à fraude que teria sido praticada na eleição da Russia e do Catar para as Copas de 2018 e 2022, com a compra de dirigentes com propinas. No entanto, nunca se conseguiu abrir um processo contra a FIFA e seus dirigentes. Agora, aproveitando-se uma reunião da FIFA em Zurique, foram presos vários dirigentes pela Polícia Suiça, em colaboração com o FBI, que está investigando o caso. Entre eles estava o Sr. José Maria Marin, ex-presidente da CBF. O atual presidente da CBF, o Sr. Marco Antonio Del Nero, deixou Zurique antes da votação que aconteceria no dia seguinte, que iria indicar o novo presidente da FIFA. O Sr. Joseph Blatter foi reeleito, mas, na semana seguinte, diante da pressão internacional e de constatar a perda de apoio de fornecedores, ele anunciou a sua renuncia, comunicando que ficará até o final de uma nova eleição para definir outro presidente, o que deve acontecer até o final do ano. Dias depois, os associados da FIFA começaram a pressionar o presidente para que se afaste imediatamente.

O processo iniciado pelo FBI foi provocado por problemas de um americano, ex-dirigente da FIFA, que fez um acordo de delação premiada e deu todas as informações sobre o esquema de corrupção que, segundo ele, tinha conhecimento desde 1988. O brasileiro J. Hawila, dono da Traffic, empresa que tinha megacontratos de divulgação dos torneios da FIFA, também fez uma acordo de delação premiada e se comprometeu a devolver cerca de US$ 150 milhões, sendo US$ 25 milhões no ato da assinatura do acordo.

O que está ficando claro para todos nós, é que os EUA estão se aproveitando agora de um dispositivo legal que lhe dá o direito de investigar estrangeiros, não havendo necessidade de que tenham cometido ilícitos no seu território, mas que tenham algum vínculo com o país, como conta bancária, ou uma transferência por meio de banco americano. Esta condição ficou conhecida por ocasião do estouro do escândalo da Petrobrás e dos processos que foram abertos nos EUA contra a empresa, pela simples razão de ter ADRs lançadas no mercado de ações americano. Juristas brasileiros alertaram, em artigos, que uma empresa não pode ser condenada no Brasil e nos EUA pelo mesmo crime, mas podem ser punidos lá se aqui não forem punidos.

Consequência de tudo isto, os brasileiros precisam ser investigados aqui para não ficarem sujeitos a um regime mais rígido nos EUA.

Esta onda de combate à corrupção, que se soma ao que já foi feito no caso do Petrolão, e agora na operação Lava-Jato, está abrindo a possibilidade de reversão da tendência de aumento da corrupção em todo o mundo, especialmente no Brasil.

Vamos ver no que isto tudo vai dar. Já houve outros escândalos que não foram suficientes para mudar esta cultura de corrupção e impunidade.